Computação Gráfica
No ofício de arquiteto e de profissões que utilizam a expressão gráfica como linguagem (engenheiros e técnicos), a grande base de expressão é o desenho manual, no entanto, a utilização do computador e a evolução da computação gráfica ampliaram as possibilidades de representação. Sobre essa nova dinâmica Montenegro (2005) expõe seu ponto de vista:
"Ainda que os admiráveis recursos computacionais abreviem a representação e a modelagem virtual de figuras, permanece privativa da mente humana a criação de projetos, consequentemente, o usuário do computador continuará a ser solicitado a compreender como algumas coisas funcionam e a tomar decisões. Especialmente nos casos em que nem todos os dados ou variáveis estão disponíveis ou existam e, no entanto, uma decisão deverá ser tomada" (MONTENEGRO, 2005, p. 7).
Portanto, a utilização da computação gráfica pode ser uma
ferramenta que potencializa ou prejudica o ensino do Desenho Técnico e do
projeto, vai depender da forma como será mediada pelo professor, visto que cada
programa oferece seus recursos e limitações. Logo, se não houver um trabalho
inicial, por meio do desenho manual, que desenvolva no estudante a percepção
espacial, a criatividade, a imaginação e a capacidade crítica para tomada de
decisões, ao utilizar a computação gráfica, o aluno será refém dos limites dos
softwares.
Segundo Veloso (2010), a modelagem digital tem sua constituição fundamentada na informação. O pesquisador afirma que os modelos digitais não são reproduções estáticas oriundas da percepção ou imaginação (como o desenho manual), mas simulações baseadas nas perspectivas teóricas (teoria, cálculo, regras, algoritmos, etc) inseridas nos computadores e os define:
"Os modelos digitais são, portanto, instrumentos codificadores, isto é, abstrações matemáticas que reduzem e interpelam fenômenos ou ideias em uma sintaxe numérica que pode resultar em imagens, diagramas, animações, sons e desenhos automáticos" (VELOSO, 2010, p.2).
O pesquisador enfatiza que, no âmbito do projeto, o conhecimento e a técnica agregados aos softwares, não deve substituir a busca do profissional por esse conhecimento e técnica, pois:
"Se o projetista percebe e pensa a partir de categorias já definidas no programa, suas atenções tendem a seguir um repertório inscrito nessa caixa preta (computador): escolha programada. Afinal o processo de modelagem tende a privilegiar informações e fenômenos manipuláveis no programa utilizado, mas, nem sempre, pertinentes á produção arquitetônica" (VELOSO, 2010, p.19).
A partir desse esclarecimento consideramos que a computação gráfica pode ser vista como uma aliada no ensino do Desenho, ampliando o potencial ferramental para as aulas de perspectiva e projeção ortogonal, sem retirar a importância do desenho manual no desenvolvimento cognitivo do estudante. A respeito dessas relações Portella (2006) discorre:
"Contra a reserva inicial, que a representação digital implicava no desaparecimento do desenho manual e da maquete, foi entendido, depois, que a representação digital estabelece relações com o analógico. Ela não somente não compromete as práticas vinculadas ao projeto do desenho e da maquete, como as potencializa ao permitir que aumentem sua capacidade e complexidade representativa" (PORTELLA, 2006 citado por PANISSON, 2007, p. 24).
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Observação: Esse texto é parte da dissertação cuja a referência é MARQUES, Janaina Carneiro. O Ensino do Desenho Técnico mediado pela História da Arquitetura, Matemática e Computação Gráfica. Programa de Pós Graduação em Educação em Ciências e Matemática. Vitória: Ifes, 2016.
Bibliografia:
MONTENEGRO, Gildo A. Inteligência visual e 3D: Compreendendo conceitos básicos da geometria espacial. São Paulo: Edgard Blucher, 2005.
PANISSON, Eliane. Gaspar Monge e a sistematização da
representação gráfica na arquitetura. 2007. Tese (doutorado em arquitetura)
- Programa de Pesquisa e Pós-Graduação em Arquitetura, UFRGS: Porto Alegre,
2007.
PORTELLA, Underléa Buscato. De lo digital en Arquitectura. Tese de doutorado em Comunicación Visual em Arquitectura y Deseño. ETSAB/UPC, Barcelona, 2006.
VELOSO, Pedro Luís Alves. Modelagem digital na arquitetura contemporânea. In I Encontro Nocional de Pesquisa e Pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo (ENANPARQ), Rio de Janeiro, 2010.